Brasil é um dos países com maior espaço para crescimento do comércio eletrônico


Mais de 70% dos brasileiros usam sites especializados em comparar preços de mercadorias na internet
Por Elisa Campos


Ainda incipiente no Brasil, o comércio eletrônico promete crescimento acelerado para os próximos anos. Atualmente, apenas cerca de 2% dos consumidores brasileiros fazem compras em canais que não as lojas tradicionais. A pequena participação do e-commerce (internet, celular e TV interativa) no mercado contrasta com seu potencial. “O Brasil é o país com maior a propensão a absorver os canais digitais”, afirma Luiz Góes, sócio-sênior da consultoria especializada em varejo Gouvêa de Souza. A conclusão faz parte de uma pesquisa realizada pela empresa neste ano, com 6 mil entrevistados em 11 países (Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Portugal, Reino Unido e Romênia).

O estudo apontou que, ao contrário dos demais pesquisados, no Brasil, o principal motivo apontado para não comprar pela internet é a insegurança em passar dados bancários ou de cartão de crédito pela internet, o que é contornável, enquanto nos outros países é o gosto por ver, tocar e sentir o produto antes de levá-lo para casa.

Os brasileiros também parecem mostrar uma maior receptividade à publicidade nas mídias eletrônicas. Cerca de 40% deles (42%) disseram estar dispostos a receber propaganda pelo celular. No mundo, esse percentual cai para apenas 8%. O uso da internet é outro motivo que coloca o Brasil entre os países com maior crescimento potencial no segmento nos próximos anos. Dentre os países analisados pelo estudo, 52% dos consumidores afirmam usar sites especializados, como Mercado Livre e Buscapé, para comparar preços na internet. Aqui, quase dois terços (73%) dos internautas usam essa ferramenta na tentativa de economizar. É o terceiro maior percentual registrado pela pesquisa, atrás apenas de Austrália e Reino Unido. Ainda tem mais: 53% dos brasileiros dizem se sentir desapontados se suas lojas preferidas não vendem pela internet, enquanto 57% projetam que lojas sem website não existirão no futuro.

Mudanças à vista
“Passa a ser uma necessidade vender também na internet. O varejista tradicional precisa começar a olhar para os outros canais com carinho. O mundo vai começar a comprar de maneira diferente”. Diante dessa evolução, a relação entre os fornecedores, varejistas e consumidores irá passar por profundas mudanças. “Antes de comprar, o consumidor usa a internet para pesquisar os preços e as características. Isso deve levar à queda da rentabilidade dos varejistas”, afirma Marcos Gouvêa de Souza, diretor geral da consultoria. O novo canal exigirá muito da capacidade de negociação das empresas. Neste novo cenário, outra mudança será a crescente influência das redes sociais. O boca a boca digital deverá fazer com que a internet passe a concorrer com o marketing tradicional e a mídia de massa, forçando as empresas a reverem suas estratégias de comunicação, avalia a consultoria.

Expansão
A previsão é que todas as categorias de produtos passem pela ampliação do consumo pelo mercado eletrônico. No caso de alimentos, 28% dos que não compram hoje em dia por meios digitais dizem que passarão a fazê-lo dentro de dois anos. O mesmo ocorre para eletroeletrônicos, com 21%, beleza, com 20% e com vestuário, calçado e acessórios, com 19%. Segundo o estudo da consultoria, existe uma relação entre o PIB per capta de um país e o fortalecimento do mercado eletrônico. Quando o PIB chega a cerca de US$ 35 mil por habitante por ano, o e-commerce passa a apresentar um crescimento exponencial. Mantido o ritmo atual, o Brasil chegaria a esse patamar dentro de seis anos, duplicando o valor do PIB atual. Foi exatamente isto que o país fez nos últimos seis anos, de 2002 a 2008, quando o produto interno bruto cresceu 1,93 vezes.

Fonte: Revisa Época - Negócios

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